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Os golpes de cripto mais comuns no Brasil (ranking)

Os golpes de cripto mais comuns no Brasil (ranking)

Os golpes de cripto mais comuns no Brasil giram em torno de investimento. Pirâmides financeiras, falsos investimentos com retorno garantido e o pig butchering — o "golpe do abate" — concentram a maior parte dos casos e do dinheiro. Somam-se a eles a corretora falsa, o furto de celular com drenagem de carteira e o recovery scam, o golpe que vem depois do golpe.

Vale um aviso de método logo de início: não existe um ranking oficial brasileiro dos tipos de golpe com criptoativos. O que segue é uma leitura da Chainspect. O ponto de partida oficial é uma pesquisa da CVM, de 2021: as criptomoedas foram o produto de investimento mais citado por vítimas de fraude financeira no Brasil — 43,3% dos respondentes —, e o WhatsApp foi o principal canal de captação, com 27,5% [1]. Ou seja, antes de qualquer coisa, o golpe de cripto no Brasil é um golpe de investimento oferecido por mensageria e indicação.

Como este ranking foi montado

Este ranking combina quatro fontes, e é honesto deixar claro o que cada uma mede. A primeira é o dado oficial brasileiro: a pesquisa da CVM já citada, que hierarquiza o problema a partir do relato das próprias vítimas. A segunda são os relatórios das empresas de análise blockchain — Chainalysis e o FBI, por meio do IC3 —, que mostram quais categorias concentram o dinheiro dos golpes no mundo. A terceira é a casuística dos rastreamentos: os padrões que reaparecem nos casos atendidos no Brasil. E a quarta é o catálogo interno da Chainspect, que organiza dezesseis tipos de golpe por prevalência e rastreabilidade. Nenhuma dessas fontes, isolada, é "o ranking"; juntas, desenham uma ordem de grandeza confiável — e não um dado de um único órgão.

O ranking dos golpes de cripto mais comuns no Brasil

A ordem abaixo vai dos padrões que mais aparecem e mais movimentam dinheiro para os mais pontuais.

1. Pirâmide financeira e esquema Ponzi com cripto

É o arquétipo brasileiro do golpe de cripto. A promessa é de retorno fixo e garantido, sustentada por bônus de indicação em estrutura multinível. Não há lucro real: os primeiros investidores são pagos com o dinheiro dos novos, até a captação não cobrir os saques e tudo colapsar. Casos como Unick Forex, Atlas Quantum, Trust Investing e Braiscompany deixaram milhares de vítimas. A CVM mantém lista pública de plataformas de investimento não autorizadas — em novembro de 2025 foram 24 de uma só vez, a maioria corretoras de opções binárias e forex —, e consultá-la é o filtro mais barato antes de investir [4]. A diferença jurídica entre pirâmide, estelionato e crime contra o sistema financeiro define quem investiga — assunto da análise sobre pirâmides financeiras e a competência da Polícia Federal.

2. Falso investimento com retorno garantido (robô de trading e arbitragem)

A isca aqui não é uma empresa inteira, mas um "produto": um robô de trading, um sistema de arbitragem ou um fundo que promete render todo dia. A vítima deposita direto numa carteira do golpista. Às vezes os primeiros rendimentos são pagos, para gerar confiança e atrair aportes maiores — e então o golpista some. É a categoria que mais movimenta dinheiro: segundo Caio Motta, arquiteto de soluções sênior da Chainalysis, os golpes de investimento de alto rendimento receberam 50,2% de todo o cripto desviado em golpes em 2024 [2]. Retorno fixo garantido em um mercado volátil, sem registro na CVM, é o sinal de alerta central.

3. Pig butchering (o golpe do abate)

O nome vem da ideia de "engordar o porco antes do abate". O golpista constrói um relacionamento — de romance ou amizade — por semanas ou meses antes de apresentar a "oportunidade". A vítima investe numa plataforma que mostra lucros fictícios e, ao tentar sacar, ouve que precisa pagar taxas ou impostos. O dinheiro, a essa altura, já saiu. Na mesma leitura da Chainalysis para 2024, o pig butchering respondeu por 33,2% do valor desviado em golpes de cripto [2], atrás apenas do investimento de alto rendimento. É um dos golpes de maior ticket, com perdas que passam de centenas de milhares de reais.

4. Golpe de romance com criptoativos

Primo próximo do pig butchering, é o golpe em que o vínculo afetivo é o fim em si. Um perfil falso e atraente inicia contato, evolui rápido para declarações de amor, nunca aceita videochamada e, em algum momento, pede cripto — por uma emergência médica, uma viagem bloqueada ou um investimento "que os dois farão juntos". As perdas se acumulam em várias transferências ao longo do tempo, o que eleva o prejuízo total.

5. Corretora ou exchange falsa (clone)

O golpista monta um site que imita uma corretora conhecida ou cria uma plataforma fictícia de aparência profissional. A vítima deposita e vê um saldo crescer na tela — saldo fictício. Ao tentar sacar, surgem taxas, "verificações" e pedidos de novos depósitos, e o saque nunca acontece. Um detalhe simples separa o clone do original: a URL. "binance-pro.com" não é "binance.com". Suporte só por Telegram ou WhatsApp e exigência de depósito antes de qualquer operação são outros sinais.

6. Furto ou roubo de celular com drenagem de carteira

É o golpe mais "de rua" da lista, e muito frequente nos grandes centros. Com o celular em mãos — em geral já desbloqueado no momento do assalto —, o criminoso abre o aplicativo da corretora ou a carteira digital, transfere o saldo e converte em reais por PIX. Aqui a velocidade da vítima é tudo: quanto antes a corretora for notificada, maior a chance de bloqueio. É o cenário em que as primeiras horas mais pesam, como mostro no guia sobre o que fazer nas primeiras 72 horas após um golpe.

7. Recovery scam — o golpe depois do golpe

Fecha a lista porque, na prática, começa onde os outros terminam. Depois de perder dinheiro, a vítima procura ajuda na internet e é abordada por alguém que promete "recuperar" os valores mediante uma taxa antecipada. Paga a taxa, o suposto recuperador desaparece — ou inventa novas cobranças. Não raro, é a mesma rede do golpe original revendendo a "solução". A regra para não cair é simples: perícia séria entrega parecer técnico, não promessa de recuperação, e ninguém pode garantir a devolução, que depende do Judiciário. Como distinguir uma coisa da outra é o tema do texto sobre perícia legítima versus golpe de recuperação.

Outros tipos aparecem com frequência menor ou ticket mais baixo, mas merecem menção: o phishing de carteira (o drainer, em que um clique autoriza o esvaziamento da carteira), o SIM swap (clonagem do chip para resetar senhas da corretora), o rug pull e a ICO fraudulenta (tokens criados para sumir com o dinheiro), o falso airdrop e os grupos de pump and dump. São golpes reais, porém mais concentrados em quem já opera no ecossistema cripto do que no público geral.

Frequência não é o mesmo que prejuízo

Uma ressalva importante para ler qualquer ranking de golpes: "mais comum" depende do que se está medindo. Por valor movimentado, o topo é dos golpes de investimento — pirâmide, falso retorno garantido e pig butchering. O FBI, no relatório do IC3 de 2025, aponta o investimento em cripto como a maior categoria de perdas nos Estados Unidos, com mais de US$ 6,5 bilhões [3]. Por número de vítimas, porém, golpes de ticket menor, como o furto de celular e o phishing de carteira, podem ser ainda mais numerosos, embora somem menos em reais. E há um fator que distorce todo número: boa parte das vítimas sequer registra ocorrência, por vergonha ou por achar que não adianta. Todo dado disponível é, por isso, um piso. Quem quiser os números de perdas em detalhe encontra o panorama no texto sobre estatísticas de golpes com cripto no Brasil.

Considerações finais

Os golpes de cripto mais comuns no Brasil têm um denominador comum: quase todos são, no fundo, golpes de investimento vestidos de tecnologia. A promessa de retorno fácil e garantido — seja numa pirâmide, num robô de trading ou na "oportunidade" apresentada por um novo amor — é o fio que costura a maioria dos casos. Reconhecer esses padrões é a primeira linha de defesa. E, quando o golpe já aconteceu, o caminho é preservar as provas e agir rápido: o rastro dos valores fica registrado na blockchain e pode ser reconstruído. A Chainspect realiza esse tipo de rastreamento para produzir parecer técnico com validade jurídica. Para vítimas, há orientações específicas na página dedicada a fraudes com criptoativos; para avaliar se um caso reúne condições técnicas de rastreamento, há o diagnóstico preliminar.

Perguntas frequentes

Quais são os golpes de cripto mais comuns no Brasil?

Os mais recorrentes são os de investimento: pirâmide financeira, falso investimento com retorno garantido e pig butchering (o "golpe do abate"). Somam-se a corretora falsa, o furto de celular com drenagem de carteira e o recovery scam. Não há ranking oficial — esta é uma leitura da Chainspect a partir de dados da CVM, da Chainalysis, do FBI e da casuística de rastreamentos.

Qual golpe de cripto movimenta mais dinheiro?

Os golpes de investimento. Segundo a Chainalysis, com dados de 2024, os golpes de investimento de alto rendimento concentraram 50,2% do valor desviado em cripto por golpistas, e o pig butchering, 33,2%. O FBI, no relatório de 2025, também aponta o investimento como a maior categoria de perdas com criptoativos.

Existe um ranking oficial dos golpes de cripto no Brasil?

Não. Nem a Polícia Federal, nem a CVM, nem o Banco Central publicam uma ordenação oficial dos tipos de golpe com criptoativos por prevalência. O ranking apresentado aqui é uma curadoria da Chainspect, que combina o dado oficial disponível (CVM), os relatórios de empresas de análise blockchain e a casuística dos casos atendidos.

O que é o pig butchering?

É o "golpe do abate": o golpista cultiva um relacionamento de romance ou amizade por semanas ou meses e então apresenta uma falsa oportunidade de investimento. A vítima vê lucros fictícios numa plataforma e, ao tentar sacar, precisa pagar taxas que nunca liberam o dinheiro — que já foi desviado.

Recovery scam é um golpe de cripto?

Sim, é o "golpe depois do golpe". Alguém promete recuperar os valores perdidos mediante uma taxa antecipada e desaparece após o pagamento. A regra de segurança é clara: perícia legítima entrega parecer técnico, não promessa de recuperação — ninguém pode garantir a devolução, que depende de decisão judicial.

Referências

  1. BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários (CVM/CECOP). Pesquisa com Vítimas de Fraudes Financeiras. Rio de Janeiro, 2021.
  2. CHAINALYSIS (Caio Motta). O novo cenário dos golpes envolvendo criptoativos. Exame / Future of Money, 2025 (dados de 2024).
  3. FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. Internet Crime Complaint Center (IC3) — 2025 Internet Crime Report. Washington, D.C., 2026.
  4. BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. CVM alerta para atuação irregular de 24 plataformas digitais. 13 nov. 2025.