
Sim, existe. Antes de contratar um rastreamento, você pode solicitar uma avaliação preliminar e gratuita de viabilidade: informa a TXID ou o endereço de destino e recebe, em até 24 horas úteis, uma classificação — viável, parcialmente viável ou inviável. É o filtro que diz, antes de qualquer pagamento, se o seu caso tem condições técnicas de ser rastreado — sem compromisso e sem promessa de recuperação.
Nem todo caso é rastreável, e essa é justamente a informação que a vítima mais precisa antes de gastar. Segundo o FBI Internet Crime Complaint Center (IC3), as perdas com golpes envolvendo criptoativos reportadas nos Estados Unidos somaram US$ 5,6 bilhões em 2023 [1] — e o mesmo relatório aponta o recovery scam, o "golpe depois do golpe", como fraude em crescimento, cobrando taxas antecipadas de quem já perdeu. Uma avaliação gratuita e sem compromisso é o oposto disso: você descobre se há rastro a seguir antes de assumir qualquer custo.
O que é o diagnóstico gratuito de viabilidade
O diagnóstico é uma avaliação preliminar — não o rastreamento em si. O objetivo é responder a uma única pergunta objetiva: dá para rastrear este caso? Para isso, você fornece o mínimo necessário: a TXID (o identificador único da transação na blockchain) ou o endereço de carteira para onde os criptoativos foram enviados. Contar o que aconteceu é opcional — ajuda a contextualizar, mas o dado técnico já basta para a análise.
Na Chainspect, esse diagnóstico é gratuito e sem compromisso, com retorno em até 24 horas úteis. A análise é conduzida por equipe identificável, com CNPJ ativo e metodologia documentada, e os dados informados são usados apenas para responder à solicitação, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) [4]. Nenhuma dessas características é acessória: como se verá adiante, elas são exatamente o que separa uma avaliação técnica séria de uma abordagem fraudulenta.
Viável, parcialmente viável ou inviável: o que o diagnóstico responde
A classificação não é um palpite — ela se ancora em fatos técnicos verificáveis sobre a rede em que os valores se movimentaram. O GRINPA — Guia de Rastreamento e Investigação Patrimonial, produzido pelo Ministério Público Militar e pelo CSJT no âmbito da Ação 8 da ENCCLA, consolidou o que já era consenso técnico: as principais redes têm graus de rastreabilidade muito diferentes [2].
- Viável — os valores estão em Bitcoin, Ethereum ou USDT (nas redes Tron e Ethereum), cujas transações são públicas e permanentes. Se o destino é uma exchange com cadastro de usuários (KYC), a rastreabilidade é ainda melhor: há um ponto onde o endereço pode ser vinculado a uma pessoa.
- Parcialmente viável — o rastro existe, mas o caminho ficou mais caro e incerto: mixers, transações CoinJoin ou DeFi complexo encarecem a reconstrução sem zerá-la. As pontes entre redes (bridges) entram aqui por outro motivo: elas não reduzem o rastro, deslocam-no para outra blockchain — o trabalho aumenta porque é preciso seguir a trilha em mais de uma rede. Nesses casos a trilha pode ser reconstruída, com mais esforço e sem garantia de chegar ao fim.
- Inviável — os valores foram convertidos em Monero, moeda de privacidade com rastreabilidade nula por design: a trilha se encerra no ponto da conversão. É o único cenário em que não há caminho útil a seguir — e é mais honesto dizer isso do que cobrar por um trabalho sem saída.
No livro Bitcoin e Lavagem de Dinheiro, distingo as transações simples — rastreáveis de forma direta — das complexas, que passam por mixers, bridges ou moedas de privacidade e exigem técnicas forenses mais sofisticadas [3]. O diagnóstico é, na prática, uma triagem que classifica o seu caso nessa escala.
O que o diagnóstico não é
Aqui está o limite honesto, e ele precisa ficar claro para não gerar falsa expectativa. O diagnóstico é preliminar e mascarado por design: ele diz se dá para rastrear, mas não entrega o nome da exchange de destino nem o endereço completo, e não acompanha cadeia de custódia. Ou seja, não é peça jurídica e não serve, sozinho, como prova em processo.
Quem entrega a prova é o parecer forense — o documento que reconstrói o fluxo dos valores, identifica as exchanges e os endereços envolvidos e observa a cadeia de custódia exigida para ter validade em juízo. O diagnóstico responde "é rastreável?"; o parecer responde "para onde foram os valores e por qual exchange passaram" — a identificação de quem os controla depende do cadastro (KYC) dessa exchange e, em regra, de ordem judicial. Quando a avaliação aponta um caso viável, a decisão seguinte passa a ser quando contratar o rastreamento — e, uma vez em mãos, o que fazer depois de receber o parecer. O diagnóstico é o primeiro filtro dessa sequência, não o seu fim.
Por que uma avaliação gratuita é o oposto do recovery scam
Vítimas recentes, em desespero, são o alvo preferencial do recovery scam — a fraude de taxa antecipada que promete "recuperar" os valores perdidos, cobra adiantado e desaparece — a própria CVM mantém alertas ao mercado sobre empresas não autorizadas que oferecem esse tipo de serviço [5]. Por isso vale comparar, ponto a ponto, o que caracteriza cada coisa.
O recovery scam cobra antes de qualquer resultado e promete a recuperação garantida do dinheiro. Um diagnóstico de viabilidade faz o inverso: é gratuito, não cobra nada para avaliar, e não promete recuperação — apenas informa se o caso é tecnicamente rastreável. Some a isso a transparência sobre quem faz a análise (equipe identificável, CNPJ ativo, metodologia documentada) e você tem o retrato oposto ao do golpe, que se esconde atrás de perfis sem histórico e contatos não solicitados. A regra prática é simples: quem promete devolver seu dinheiro mediante uma taxa não está sendo transparente; quem se dispõe a avaliar de graça, e admite quando o caso é inviável, está.
Considerações finais
O diagnóstico gratuito de viabilidade cumpre uma função específica e limitada: dizer, antes de qualquer contratação, se o seu caso tem condições técnicas de ser rastreado. Ele não substitui o parecer forense, não devolve o dinheiro e não faz milagre — mas evita que você pague às cegas por um trabalho sem saída ou, pior, caia no golpe de quem promete resultado.
Para quem acabou de sofrer um golpe, o caminho continua sendo o descrito no guia sobre o que fazer nas primeiras 72 horas: preservar provas, registrar o BO e notificar a exchange. Em paralelo, o diagnóstico preliminar permite verificar rapidamente a viabilidade do rastreamento — sem compromisso e sem promessa de recuperação. É a partir dessa triagem, e não de uma promessa, que uma decisão informada se torna possível.
Perguntas frequentes
Existe uma análise gratuita antes de eu pagar um rastreamento?
Sim. Antes de contratar, é possível solicitar uma avaliação preliminar e gratuita de viabilidade. Você informa a TXID ou o endereço de destino e recebe, em até 24 horas úteis, uma classificação — viável, parcialmente viável ou inviável. É sem compromisso e sem promessa de recuperação.
O que eu preciso informar no diagnóstico gratuito?
Basta a TXID (identificador da transação) ou o endereço de carteira de destino para onde os criptoativos foram enviados. Contar o que aconteceu é opcional e ajuda na análise, mas o dado técnico já é suficiente para avaliar a viabilidade.
O diagnóstico gratuito garante que vou recuperar o dinheiro?
Não. O diagnóstico apenas avalia se o caso tem condições técnicas de ser rastreado. Ele não é promessa de recuperação: rastrear identifica o destino dos valores; recuperar depende de decisão judicial, cooperação de exchanges e solvência do autor.
O que significa um caso inviável para rastreamento?
Significa que a trilha na blockchain não pode ser reconstruída de forma útil. O cenário típico é a conversão para Monero, moeda de privacidade com rastreabilidade nula por design: ali a trilha se encerra. Já a passagem por mixers ou CoinJoin não torna o caso inviável — encarece e dificulta o trabalho, o que costuma classificá-lo como parcialmente viável.
O diagnóstico gratuito serve como prova no processo?
Não. O diagnóstico é preliminar e mascarado por design — não revela o nome da exchange de destino nem o endereço completo, e não tem cadeia de custódia. Para uso em inquérito ou ação, é preciso o parecer forense, que documenta o rastreamento com validade jurídica.
Referências
- FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. Internet Crime Complaint Center (IC3) — 2023 Internet Crime Report. Washington, D.C., 2024. Seção sobre criptoativos e advance-fee fraud (recovery scams).
- BRASIL. Ministério Público Militar; Conselho Superior da Justiça do Trabalho. GRINPA — Guia de Rastreamento e Investigação Patrimonial. Brasília, 2026.
- MORAES, Felipe Américo. Bitcoin e Lavagem de Dinheiro: quando uma transação configura crime. Belo Horizonte: Tirant lo Blanch, 2022.
- BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — LGPD).
- BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. Alertas ao mercado sobre empresas não autorizadas que oferecem serviços de recuperação de investimentos.