
O USDT (Tether) é uma stablecoin — uma criptomoeda atrelada ao dólar, feita para valer sempre cerca de US$ 1 — e é a maior do mundo. É o que se costuma chamar de "dólar digital": uma representação do dólar americano que circula na blockchain, unindo a estabilidade da moeda tradicional à mobilidade de um criptoativo.
Segundo a plataforma de dados CoinGecko, o USDT é a maior stablecoin por valor de mercado — cerca de US$ 184 bilhões — e a terceira maior criptomoeda do mundo, atrás apenas de Bitcoin e Ethereum [1]. No Brasil, seu peso é ainda maior: dados da Receita Federal de outubro de 2023 indicam que as stablecoins concentram cerca de 80% do volume de criptoativos declarado no país, com o USDT à frente do próprio Bitcoin [2]. Aqui, o USDT não é "mais uma cripto" — é a cripto padrão.
O que é uma stablecoin
Uma stablecoin é uma criptomoeda projetada para manter valor estável, em geral por paridade com uma moeda tradicional. Enquanto o preço do Bitcoin oscila livremente, uma stablecoin atrelada ao dólar tende a valer sempre cerca de US$ 1. Essa estabilidade vem de um lastro: a Tether afirma manter reservas em dólar — sobretudo caixa e títulos do Tesouro dos Estados Unidos — que respaldam cada token emitido. Além do USDT, circulam no Brasil outras stablecoins, como o USDC (dólar) e o BRZ (real).
Por que golpistas preferem o USDT
A mesma característica que torna o USDT útil para pagamentos legítimos o torna atraente para fraudes. Na rede Tron (o padrão TRC-20), ele combina taxas baixíssimas — transferir custa centavos — com alta liquidez em dólar, o que o tornou o trilho preferido de golpistas no Brasil, no já conhecido padrão de PIX convertido em cripto.
Há ainda um fator psicológico. Como a stablecoin é feita para valer sempre cerca de US$ 1, a vítima de um falso investimento vê o saldo parado em "dólares", o que transmite falsa sensação de segurança. Com o Bitcoin, a oscilação diária denunciaria o risco; com o USDT, o número estável sustenta a ilusão por mais tempo. É uma leitura do desenho do golpe, não uma estatística — mas explica por que o "dólar digital" aparece tanto nesses casos.
Considerações finais
Convém desfazer um mal-entendido comum: usar USDT não significa que o dinheiro "sumiu". Ao contrário, a rede Tron é pública e permanente, o que torna o USDT um dos ativos mais fáceis de seguir on-chain a partir do código da transação, o TXID. E, diferentemente do Bitcoin, o USDT tem um emissor central: a Tether pode congelar o saldo de um endereço, como fez ao travar centenas de milhões de dólares na rede Tron em 2026. Ser um "dólar digital" também significa ser centralizado e sujeito a bloqueio — o que, aqui, joga a favor da vítima.
Perguntas frequentes
O que é USDT?
O USDT (Tether) é a maior stablecoin do mundo em valor de mercado, segundo a CoinGecko: uma criptomoeda atrelada ao dólar, feita para valer sempre cerca de US$ 1. Por isso é chamado de "dólar digital" — funciona como uma representação do dólar americano que circula na blockchain, com estabilidade de preço e alta liquidez.
Qual a diferença entre stablecoin e Bitcoin?
O preço do Bitcoin oscila livremente, conforme a oferta e a demanda. Uma stablecoin, como o USDT, é projetada para manter valor estável — em geral por paridade com o dólar —, permanecendo próxima de US$ 1. É essa previsibilidade que a torna útil para transferências e pagamentos.
Por que golpistas usam tanto o USDT?
Porque o USDT na rede Tron (TRC-20) une taxas baixíssimas, alta liquidez em dólar e estabilidade de preço. Essa combinação facilita mover valores depressa e, num falso investimento, o saldo parado em "dólares" transmite falsa sensação de segurança. Ainda assim, o USDT é altamente rastreável e pode ser congelado pela Tether.
Referências
- COINGECKO. Tether (USDT) — dados de mercado. Consultado em 17 jul. 2026. Disponível em: coingecko.com/en/coins/tether.
- BRASIL. Ministério da Fazenda / Receita Federal. Criptoativos: Receita Federal detecta crescimento vertiginoso na movimentação de stablecoins. Brasília, out. 2023.